Querer querer

Queria poder querer querer algo. Não apenas querer. Gostaria de escolher o que querer. Escolher quais desejos ter, e quais sonhos sonhar.

Assim, poderia escolher os passos, delinear o caminho e ser, portanto, quem eu quisesse querer ser.

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Sequoia*

Mas isto não é possível. Não somos quem queremos querer ser. Somos quem somos; queremos o que queremos.

Seria mais fácil se os desejos e os sonhos e os impulsos fossem como plantas dentro de um vaso – bastaria regá-los para que crescessem, e abandoná-los para que morressem. Mas, na vida, acontece exatamente o oposto quando os abandonamos: eles crescem. Eles crescem dentro de um espaço pequeno, e quando finalmente encontram as paredes e o teto deste espaço, eles se tornam mais fortes. Querem sair.

Quando querem sair, uma linha é cruzada. E essa linha, uma vez cruzada, abre um novo e verdadeiro caminho – o caminho que o leva a si mesmo, aos seus próprios desejos, a quem você é.

Um feixe de consciência e lucidez é entregue em suas mãos. Negar isto é negar a si mesmo. E negar a si mesmo é sufocar-se. É suicídio lento.

“É difícil de se explicar, mas a verdade é que foi assim. Vi-me de repente livre das redes infernais que me aprisionavam, vi diante de mim novamente o mundo claro e risonho, e deixei de sentir os acessos de terror e as palpitações que me afogavam”

(Demian, Hermann Hesse)

 

 

*Sequoias são árvores gigantes, que podem chegar a 115 metros de altura e 12 metros de diâmetro. A mais antiga delas tem 4650 anos.

Nas sombras

Eu não quero ser aquela pessoa que nunca se perde.

Não quero ser quem vive na caixa, nas sombras, na segurança.

Eu não são sou essa pessoa. Eu ajo como essa pessoa e falo como essa pessoa, mas não sinto como essa pessoa.

E as pessoas que nunca se perdem, as que nunca se permitem, as que nunca cruzam a linha… essas não são as que me despertam interesse.

Atente-se, caro leitor, que não estamos falando de irresponsabilidade. Não se trata de sair desgovernadamente tomando qualquer atitude. Trata-se de algo mais simples e mais puro; trata-se de algo que se relaciona à essência do viver, do querer, do ser.

O que nos é perfeito não é parâmetro. Não pode ser. Não deve ser. A calmaria e a linearidade não nos fazem bem quando não nos pertencem.

Percebi que as pessoas que despertavam minha admiração não eram as que viviam em caixas. Elas estavam do lado de fora de suas caixas. Algumas, nem caixas possuíam. Mas aqui estava eu: tentando me manter dentro da caixa. Pior ainda: tentando construir uma caixa para me manter dentro dela.

Como a caixa não faz parte de mim, e eu não tenho aptidão para construí-la, vivo nas sombras. Nas sombras das caixas dos outros; nas sombras daquilo que não me atrai. Não posso mais viver assim. Não quero mais viver assim.

Mas, hoje, algo está diferente: o não poder e não querer não estão associados ao fim, ao desejo de morte. Pelo contrário. Há mais vida do que morte.

Eu sou mais vida do que morte.

“Eu queria roubar algo que já era meu”
(trecho de ‘Night time made us’, The Pastels)

Assistam este vídeo de Gilles Deleuze: https://www.youtube.com/watch?v=kxShsYKn7Xo

Sobre 2016 e resoluções

Último dia do ano e, de praxe, dia de fazer resoluções. Dia de prometer ser mais organizado, ler mais livros, não procrastinar, cumprir horários. Dia de prometer praticar mais esportes, alimentar-se melhor, colocar as contas em dia. De prometer consumir menos. Viajar mais.

Dia de atrair amor, dinheiro, paz. De usar vermelho, amarelo, branco.

Mas, este ano, algo me engoliu. Algo que me amarrou à cadeira e disse: “desta vez não”.

Algo que me atravessou gritando que amanhã, primeiro dia de 2016, eu ainda serei eu, a mesma pessoa que sou hoje. E a pessoa que sou hoje não é a pessoa que eu quero ser, e nem a que eu sou.

Resolvi, então, que a resolução de hoje não é porque amanhã é outro ano, mas sim porque CHEGA.

Chega de atender expectativas alheias antes das próprias.
Chega de buscar justificativas após um “não”.
Chega de achar que é preciso parecer feliz o tempo todo.

Chega.

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“É preciso coragem para crescer e ser quem você realmente é” – E E Cummings

 

 

 

O paraíso ao seu lado e o inferno dentro de você

Frequentemente somos cobrados para escolher um lado: o bom ou o mau, o céu ou o inferno, a vida luminosa ou a sombria. Mas somos nós seres binários? Será a vida um eterno preto no branco, sem meio termo?

VITO MENSHIKOV

“Ambivalence” (Vito Menshikov)

Confesso que gostaria que fosse. Gostaria de poder escolher claramente o caminho a seguir, as pessoas com quem estar. Gostaria que as decisões fossem simples e as escolhas claras.

Mas não são.

Neste nosso mundo maniqueísta, sentimo-nos constantemente na obrigação de escolher um lado e de nos cercar de certezas. Acabamos assumindo uma postura que não é nossa, não é o que queremos, não é o que esperamos, não é o que somos.

Os dias passam e nos transformamos cada vez mais no que achamos que deveríamos ser, no que achamos que esperam de nós, no que achamos que temos que fazer para cumprir as expectativas. Quando percebemos, vemos que, mais do que expectativas dos outros, são expectativas que acreditamos que os outros tenham. E este é um caminho perigoso.

Mas, assim é nossa vida: uma aparentemente forte estrutura com robustos alicerces construída sobre um castelo de cartas.

“Nada na vida repugna tanto ao homem do que seguir pelo caminho que o conduz a si mesmo” – Hermann Hesse (trecho de “Demian”)

Título retirado desta música aqui:

 

 

CVV e eu

A minha história com o CVV – Centro de Valorização da Vida começou quando, próximo ao natal de 1999, eu, então com 12 anos, vi uma propaganda que me tocou bastante. Era uma moça olhando o mar quando, de repente, levanta-se e ia em direção a ele, abandonando suas coisas pelo caminho e finalmente sumindo em sua imensidão. Terminava com a frase:

“A solidão pode dar um rumo inesperado para sua vida”.

Para quem não conhece, o CVV é uma ONG sem fins lucrativos e sem ligação política ou religiosa que tem como objetivo a prevenção do suicídio (que, para quem não sabe, ocupa o 10º. lugar em causas de mortes no mundo).

O CVV sempre esteve presente na minha vida de uma maneira ou de outra. Muitas vezes preenchi o formulário para o voluntariado, porém nunca levava adiante. Mas, como podemos fugir mas não podemos nos esconder do que nos pertence, uma série de acontecimentos me levaram finalmente ao primeiro curso do CVV que, coincidência ou não, foi na própria cidade em que moro.

A minha ida ao primeiro curso do CVV me fez ter vontade de fazer as pessoas entenderem um pouco mais o que é a depressão, o que é sentir-se solitário e o que é esse vazio que forte abraça. Resolvi fazer isto por meio de músicas, e a primeira escolhida é da banda James e chama-se “Sit Down” (Sente-se). Colocarei a tradução para que todos possam entender.

Eu canto pra dormir
Uma canção da hora mais negra
Segredos que não posso manter
Dentro do dia
Mudando do êxtase à depressão
Extremos do doce e do amargo
Espero que Deus exista
Eu espero e rezo por isso

Arrastado pela correnteza
Minha vida está fora de controle
Acredito que essa onda me sustentará
Então deixo fluir

Sente-se
Sente-se perto de mim
Sente-se
Por caridade

Agora estou aliviado em ouvir
Que você esteve em alguns lugares distantes
É difícil continuar
Quando nos sentimos tão sozinhos
Agora estou entre extremos de novo
É pior do que foi antes
Se eu não tivesse visto tantas riquezas
Poderia viver com o fato de ser pobre
Sente-se
Sente-se perto de mim
Sente-se
Por caridade

Aqueles que sentem o cheiro da tristeza
Sentem-se perto de mim
Aqueles que acreditam ser um pouco loucos
Sentem-se perto de mim
Aqueles que se acham ridículos
Sentem-se perto de mim
Com amor, com medo, com ódio, com lágrimas

Sente-se
Sente-se

Sente-se
Sente-se perto de mim
Sente-se
Por caridade

Sente-se
Sente-se perto de mim
Sente-se
Por caridade

Sente-se

Mudanças internas

​A gente só muda de verdade quando percebe que não há outra opção se não mudar.

Só muda quando o espaço fica pequeno, quando o assunto acaba, quando as luzes se apagam e você sabe que precisa ir embora.

Muda por uma imposição da vida, que chega e diz: “isto não faz mais parte de você e você não pertence mais a este lugar”.

Não muda por achar que deve mudar.
Não muda por ter a impressão de que deve mudar.
Não muda simplesmente por querer mudar.

A mudança é uma consequência, e não a causa; é o fim, e não o meio.

A mudança, portanto, não é uma escolha.

“Quando alguém encontra algo de que verdadeiramente necessita, não é o acaso que tal proporciona, mas a própria pessoa; seu próprio desejo e sua própria necessidade o conduzem a isso.” (Demian – Hermann Hesse)

Sobre os reais motivos

Em linhas – BEM – gerais, nossa vida nada mais é do que uma sucessão de tomadas de decisões que nos levam aos mais diferentes caminhos. Mas, na realidade, quais dessas decisões são tomadas pensando em nós mesmos? E quais são apenas uma consequência do medo da mudança, das opiniões alheias e do conservadorismo cego?

Sem título

Existe algo que nos impede de mudar mesmo quando a situação presente não é favorável. Uma corrente que nos segura, uma gaiola que nos prende, uma porta trancada que nos impede de escapar. E todas invisíveis. Nenhuma delas está lá.

Mesmo quando determinada situação já não nos faz mais bem, continuamos amarrados ao que costumava ser, ao que poderia ter sido, ao que era para ser. Não vemos que, na realidade, já não é mais, nunca será, e, certamente, nunca teria sido.

No íntimo, todos sabemos quais são os reais motivos que nos prendem a situações, pessoas e lugares, e nenhum deles está do lado de fora. Não existem culpados – apenas uma sucessão de fatos, de circunstâncias, de mudanças. De vida.

“Todo mundo age não apenas movido por compulsão externa, mas também por necessidade íntima”. – Einstein

Palavra da Semana: Atitude

A palavra dessa semana é:

ATITUDE

Que tal anotar tudo que você precisa fazer e realmente fazer? Parar de procrastinar, levantar da cadeira e resolver aqueles problemas que ficam martelando atrás de nossas orelhas?

E, mais do que isso: que tal listar os planos – aqueles grandes – que realmente te motivam e ir atrás deles? Nada mudará nesta vida se não formos atrás dos nossos objetivos e desejos. Mas não se esqueça: para conseguir o grande, é preciso começar pelos pequenos. Resolva os menores problemas diários e organize-se para atingir o que você busca para sua vida.

“O céu deixou de ser o limite.” – Richard Nixon

Quando saber a hora de desistir?

Frequentemente ouvimos as pessoas dizerem para não desistirmos nunca. Mas até onde isso é verdade?

Artista: Stewart Forrest

Artista: Stewart Forrest

Eu sempre tive em mente que não deveria desistir de nada, e lutar até o fim para conseguir o que eu quero. Só que, com o passar do tempo, eu percebi que embora um objetivo pudesse parecer a coisa certa em determinado momento da minha vida, depois ele já não parecia mais a melhor opção. Isto porque, apesar do objetivo continuar o mesmo, eu tinha mudado. Eu já não era mais a mesma pessoa de quando o plano foi iniciado.

Por algum motivo, negamos internamente essa mudança. Então, mesmo quando percebemos que algo não faz mais sentido, sentimo-nos pressionados a continuar até o fim. Sempre terão aqueles que dirão que “toda experiência é válida”, mas, um momento – e a experiência que você perde enquanto procura continuar com algo que mais nada tem a ver com você? E todo o stress de continuar com algo que você não quer continuar?

Saiba o momento de jogar a toalha. Admita para você mesmo que sim, esse momento existe, e não há problema algum com isso! Foque no importa agora e no que realmente fará diferença em sua vida, ao invés de ficar escravo de atividades que nada acrescentarão em sua jornada.

“Basta acreditar na escravidão para realmente ser escravo.” – Émile Chartier

Palavra da Semana: Organização

A palavra dessa semana é:

4 Organização

Já é de conhecimento geral que pessoas organizadas vivem mais. Mas, acima disso, acho que pessoas organizadas poupam um tempo incrível na vida.

Ao se organizar, é inevitável que você se torne uma pessoa mais produtiva. Ser mais produtivo significa que ações que demorariam um tempo x são feitas em um tempo inferior a x, de modo que outras atividades passam a caber em sua vida. Há mais tempo para os amigos, para a família, para os livros, filmes e quaisquer outros tipos de lazer.

Que tal tentar colocar em prática hoje técnicas de organização e levar uma vida mais produtiva?

“A vida já é curta, mas a tornamos ainda mais curta desperdiçando tempo.” – Victor Hugo