Arrepender-se é aceitar

Artista: Jason Ince

Artista: Jason Ince

Vira e mexe ouço alguém dizendo: “Não me arrependo de nada que fiz”. Besteira! Todo mundo se arrepende de alguma coisa, todo mundo queria apagar alguma  parte da vida. A questão é que, por algum motivo, a gente se sente na obrigação de se orgulhar de cada passo dado. O ato de se arrepender é tido como um fardo muito pesado para carregar e, principalmente, para assumir.

Artista: Monica Forrer

Artista: Monica Forrer

E, na esperança de acreditar nessa mentira, tentamos crer que, se nossa vida não tivesse sido exatamente como foi, não estaríamos aqui hoje – e, na nossa cabeça, estar aqui hoje é mesmo a melhor opção de todas. Mas será que esse ‘estar aqui’ é realmente assim tão bom? Como podemos afirmar isso, se não sabemos como estaríamos em outra situação?

Parece que há um certo medo que ronda o ser humano, como se sempre tivesse que haver um final feliz. Ok, eu adoro finais felizes e sempre torço por eles, mas às vezes uma situação é aquela e ponto final! Frequentemente queremos acreditar que ‘há males que vem para o bem’ ou que ‘essa situação difícil que estou passando é para me testar’. Por que será que é tão duro acreditar que alguns males não são acompanhados de bem algum, e que nem sempre nossa vida é um mar de rosas?

Mas sabe qual é a parte mais interessante disso? É o fato de estar tudo bem! A vida não tem que ser esse eterno “dois passos para trás para dar um para frente”. Às vezes os dois passos pra trás só nos fazem atrasar mesmo. E tudo bem, sem dramas. Devemos manter o foco nos próximos passos.

Sem confundir ser realista com ser conformista, o fato é que independente dos tombos, passos errados e arrependimentos, temos que levantar. Não importa se aprendeu algo ou não – apenas levante. E quando estiver de pé, permaneça; e entenda que independente das justificativas que damos a nós mesmos, é para frente que devemos olhar, e é adiante que devemos seguir.

“Somos todos humanos, sujeitos a enganos; quando alguém se arrepende, o valor do arrependimento apaga todo o demérito das faltas cometidas” – Goldoni

Seja sincero com seus sentimentos

Artista: Valery Simov

Artista: Valery Simov

Enquanto o mundo gira e o tempo passa, somos colocados à prova constantemente. É necessário ter os amigos certos, frequentar a faculdade certa, conseguir o trabalho certo. E, mais do que isso, é preciso estar feliz com o que se consegue, obrigando-se a demonstrar uma gratidão que nem sempre é verdadeira.

Assim como a gratidão, também existe a pressão de, ao cairmos, levantarmos logo. Somos pressionados a nos recuperar de coisas que só o tempo podem curar, como se um dia sofrido não fosse um dia vivido.

Estudou muito e não passou onde queria? “Comece a estudar novamente já!” Terminou um longo relacionamento? “Supere logo e parta para outra!” Seu animal de estimação morreu? “Ah, mas é só um animal, pegue outro!”

Diante de tantos imperativos, passamos a acreditar que essa história de que o tempo cura feridas é besteira, e que decepções devem logo ser superadas e gerar um novo início. É claro que, quanto antes superarmos algo, melhor; porém, o meu tempo de superação é diferente do seu, que é diferente do de qualquer outra pessoa. Não minta para si próprio fingindo estar bem quando não está; não atropele seus sentimentos sacrificando seu bem-estar por uma pressão externa.

Respeite seu tempo, recupere suas forças e, principalmente, seja sincero com os seus sentimentos. Se agora não está tudo bem, não se preocupe – daqui a pouco estará. O que não vale é deixar outra pessoa, que não você mesmo, dizer quando você precisa se levantar.

“Ninguém sabe quanto tempo pode durar um segundo de sofrimento” – Graham Greene

Não se preocupe tanto em sair tão bem em fotos

Einstein

Einstein

Chega de “mais uma”, “essa não ficou boa”, “vamos tirar outra”.

O legal das fotos é que elas captam a emoção do momento. Isto não ocorre, no entanto, quando você molda demais, força demais, encena demais.

Quando você olha suas fotos de infância, as mais significativas são, sem dúvida, as que mostram toda a espontaneidade infantil e que quase nos fazem voltar ao tempo e reviver aquele momento. Elas não são muito mais engraçadas do que aquelas que as escolas normalmente nos obrigam a tirar, sentados em uma mesa e com um sorriso mega travado? Qual das duas representa melhor o que você foi?

Mais sorrisos, mais espontaneidade, mais graça. Menos ângulos certos, menos sorrisos contidos, menos “vamos bater outra porque eu não saí bem”. Mais fotos engraçadas, mais sorrisos tortos, mais piores ângulos e mais diversão.

“O ridículo não existe; os que se atreveram enfrentá-lo conquistaram o mundo” – Mirabeau

Vocês sabem a história dessa foto do Einstein? Era o aniversário de 72 anos dele, e já no final um fotógrafo pediu para bater uma última foto dele. Cansado de sorrir, pois havia sorrido a noite inteira, Einstein virou e colocou a língua para fora, no momento em que a foto foi tirada. Ele próprio gostou tanto da foto que pediu algumas cópias e enviou a seus amigos cartões com a imagem! (Fonte)

Não perca tempo com pessoas que você precisa impressionar

Artista: Efi Haliori

Artista: Efi Haliori

A regra da vida é simples: somos todos iguais. Sem muito romantismo, sem muita enrolação, sem muitas explicações. E é justamente por isso que você não deve perder tempo tentando impressionar pessoas que provavelmente não se importam muito com você.

Ao tentar impressionar alguém que naturalmente não se impressiona com você, é provável que você acabe escondendo a pessoa que você realmente é. E, caso você realmente consiga impressionar esta pessoa, por quanto tempo você conseguirá ser quem não é, agindo como um outro alguém?

No começo e final de tudo, apenas uma coisa é verdade: todos viemos e vamos dos e para os mesmos lugares. Ao sentir a necessidade de impressionar alguém, de alguma maneira você coloca a pessoa em um pedestal acima, como se por alguma razão ela fosse mais e, você, menos. E isso não é real. Seja quem você é e as pessoas certas virão até você. Todo o resto é fingimento e, cedo ou tarde, te levará a um grande e inevitável vazio.

“Ser ele próprio, num mundo que se esforça dia e noite para transformá-lo em uma outra pessoa, é a batalha mais árdua que um ser humano pode enfrentar” – E. E. Cummings