Mudanças internas

​A gente só muda de verdade quando percebe que não há outra opção se não mudar.

Só muda quando o espaço fica pequeno, quando o assunto acaba, quando as luzes se apagam e você sabe que precisa ir embora.

Muda por uma imposição da vida, que chega e diz: “isto não faz mais parte de você e você não pertence mais a este lugar”.

Não muda por achar que deve mudar.
Não muda por ter a impressão de que deve mudar.
Não muda simplesmente por querer mudar.

A mudança é uma consequência, e não a causa; é o fim, e não o meio.

A mudança, portanto, não é uma escolha.

“Quando alguém encontra algo de que verdadeiramente necessita, não é o acaso que tal proporciona, mas a própria pessoa; seu próprio desejo e sua própria necessidade o conduzem a isso.” (Demian – Hermann Hesse)

Sobre os reais motivos

Em linhas – BEM – gerais, nossa vida nada mais é do que uma sucessão de tomadas de decisões que nos levam aos mais diferentes caminhos. Mas, na realidade, quais dessas decisões são tomadas pensando em nós mesmos? E quais são apenas uma consequência do medo da mudança, das opiniões alheias e do conservadorismo cego?

Sem título

Existe algo que nos impede de mudar mesmo quando a situação presente não é favorável. Uma corrente que nos segura, uma gaiola que nos prende, uma porta trancada que nos impede de escapar. E todas invisíveis. Nenhuma delas está lá.

Mesmo quando determinada situação já não nos faz mais bem, continuamos amarrados ao que costumava ser, ao que poderia ter sido, ao que era para ser. Não vemos que, na realidade, já não é mais, nunca será, e, certamente, nunca teria sido.

No íntimo, todos sabemos quais são os reais motivos que nos prendem a situações, pessoas e lugares, e nenhum deles está do lado de fora. Não existem culpados – apenas uma sucessão de fatos, de circunstâncias, de mudanças. De vida.

“Todo mundo age não apenas movido por compulsão externa, mas também por necessidade íntima”. – Einstein

Você vive ou apenas existe?

Artista: Ludovic Laffineur

Artista: Ludovic Laffineur

Um amigo meu me disse: “Você poderia fazer um post sobre a frase: ‘Viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas apenas existe'”. Bom, aqui está o post, então! Você também pode sugerir temas entrando em contato conosco.

Oscar Wilde, indivíduo a quem foi atribuída tal frase, morreu em 1900. Se foi realmente ele quem disse a frase, uma pergunta passa pela minha cabeça: essa questão de viver versus existir não é um problema dos tempos modernos, ele vem de bem antes.  Será, então, que este dilema sempre perturbou o ser humano? Será que ele nunca soube viver de verdade?

Artista: Michał Giedrojć

Artista: Michał Giedrojć

Para cair no abismo do ‘apenas existir’, basta fazer algo que já soa como normal para grande parte de nós – basta entrar no piloto automático. Basta acordar, ir trabalhar, voltar do trabalho, dormir; basta esperar o fim de semana como se fosse a única salvação da sua lavoura; basta não agir ou reagir, apenas se deixar levar pela correnteza dos acontecimentos da vida.

E o que você tem feito para que isto não aconteça? Quais são seus objetivos de curto prazo? E de médio ou longo prazo? É fácil se perder em meio a necessidade de pagar contas e de se sustentar ou sustentar uma família, porém, é preciso estabelecer metas de crescimento pessoal. Evoluir é necessário.

Nós precisamos ser, hoje, melhores do que fomos ontem, e piores do que seremos amanhã. É preciso evoluir continuamente, é preciso desafiar a si mesmo e acreditar em uma vida completa, em uma vida repleta de realizações. É preciso acreditar que os votos que desejamos aos outros e que recebemos no ano novo e outras datas comemorativas sejam reais. É preciso abandonar frases como “no futuro será diferente” e “no momento não há nada a ser feito“.

A vida passa, e passa rápido. Não se esqueça que ao torcer para os dias passarem rápido, você acaba torcendo, inconscientemente, para que a sua vida corra. Como disse Niemeyer, “a vida é um sopro”. Não desperdice o que você não poderá recuperar.

“O homem comum não sabe o que fazer da vida e no entanto deseja outra que durará para sempre” – Anatole France

Não tenha medo de mudanças

Artista: Chico Sanchez

Artista: Chico Sanchez

Ao longo de nossas vidas, nós mudamos. Mudamos da escola para a faculdade, mudamos as companhias, mudamos de casa. Mudamos o cabelo, mudamos de cidade e mudamos, principalmente, as ideias. Hoje, como pessoa adulta que sou, definitivamente não tenho os mesmos pensamentos e objetivos que tinha há alguns anos.

Então, por que será que quando estamos infelizes diante de uma situação, ficamos tão inseguros e com medo de mudá-la? O que é essa corrente invisível que nos prende tão fortemente e não nos deixa seguir nosso caminho para a felicidade?

Artista: Chico Sanchez

Artista: Chico Sanchez

Robert Smith, vocalista do The Cure, disse em uma entrevista algo que se relaciona diretamente com essa história de mudança: “Eu sempre tive em mente que as pessoas devem poder mudar. Acho que seria um mundo intolerável se as pessoas não pudessem mudar. Você olharia no espelho e diria: ‘Oh, este sou eu para o resto da vida’ “.

A necessidade de pagar contas pode nos impedir de sair de um emprego que nos faz mal, assim como o comodismo nos impede de sair de um relacionamento não saudável ou o dinheiro investido em cursos e faculdades faz com que continuemos investindo em uma carreira que nada tem a ver com a nossa aptidão.

O recado de hoje não é para jogar tudo para o alto e agir irresponsavelmente como se não houvesse amanhã – o amanhã existe, e ele é duro. Mas duro também é continuar em uma situação ruim por inércia, afastando-se mais e mais do que realmente te faz feliz.

Uma maneira simples e prática de iniciar a mudança na sua vida é a seguinte:
1. Escreva de maneira objetiva o que você quer mudar na sua vida.
2. Veja como você fará essa mudança, de modo geral.
3. Fragmente em ações menores o item (2), ou seja, pequenas ações (quantas forem necessárias) que te levarão ao objetivo maior – a mudança.
4. Estipule prazos para que as ações do item (3) sejam concretizadas.
5. Atenção para não burlar as próprias regras. Seja fiel aos passos (1) a (4) , a você mesmo e ao que você deseja para seu futuro.

“Existe perigo na mudança arrojada, mas maior ainda é o perigo do conservadorismo cego.” – Henry George