Sobre 2016 e resoluções

Último dia do ano e, de praxe, dia de fazer resoluções. Dia de prometer ser mais organizado, ler mais livros, não procrastinar, cumprir horários. Dia de prometer praticar mais esportes, alimentar-se melhor, colocar as contas em dia. De prometer consumir menos. Viajar mais.

Dia de atrair amor, dinheiro, paz. De usar vermelho, amarelo, branco.

Mas, este ano, algo me engoliu. Algo que me amarrou à cadeira e disse: “desta vez não”.

Algo que me atravessou gritando que amanhã, primeiro dia de 2016, eu ainda serei eu, a mesma pessoa que sou hoje. E a pessoa que sou hoje não é a pessoa que eu quero ser, e nem a que eu sou.

Resolvi, então, que a resolução de hoje não é porque amanhã é outro ano, mas sim porque CHEGA.

Chega de atender expectativas alheias antes das próprias.
Chega de buscar justificativas após um “não”.
Chega de achar que é preciso parecer feliz o tempo todo.

Chega.

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“É preciso coragem para crescer e ser quem você realmente é” – E E Cummings

 

 

 

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O paraíso ao seu lado e o inferno dentro de você

Frequentemente somos cobrados para escolher um lado: o bom ou o mau, o céu ou o inferno, a vida luminosa ou a sombria. Mas somos nós seres binários? Será a vida um eterno preto no branco, sem meio termo?

VITO MENSHIKOV

“Ambivalence” (Vito Menshikov)

Confesso que gostaria que fosse. Gostaria de poder escolher claramente o caminho a seguir, as pessoas com quem estar. Gostaria que as decisões fossem simples e as escolhas claras.

Mas não são.

Neste nosso mundo maniqueísta, sentimo-nos constantemente na obrigação de escolher um lado e de nos cercar de certezas. Acabamos assumindo uma postura que não é nossa, não é o que queremos, não é o que esperamos, não é o que somos.

Os dias passam e nos transformamos cada vez mais no que achamos que deveríamos ser, no que achamos que esperam de nós, no que achamos que temos que fazer para cumprir as expectativas. Quando percebemos, vemos que, mais do que expectativas dos outros, são expectativas que acreditamos que os outros tenham. E este é um caminho perigoso.

Mas, assim é nossa vida: uma aparentemente forte estrutura com robustos alicerces construída sobre um castelo de cartas.

“Nada na vida repugna tanto ao homem do que seguir pelo caminho que o conduz a si mesmo” – Hermann Hesse (trecho de “Demian”)

Título retirado desta música aqui:

 

 

E o amor verdadeiro mora…

…na coexistência.

Minha concepção do que é amor mudou muito ao longo de minha vida. Hoje, beirando trinta anos, tenho uma ideia muito mais serena acerca desse sentimento.

Lembrando que tudo aqui é apenas opinião, e minha opinião.

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Primeiro, o amor não é apenas romântico. Também não é apenas o familiar. Na verdade, o amor não consiste em quem você ama (pai, mãe, marido, esposa) ou na natureza do amor (familiar, amigável, amoroso, etc). Não consiste, também, no tempo de relacionamento, e menos ainda na obrigatoriedade de amar. Você não ama por ter uma vida junto, e não ama por obrigação social.

Não ama por ter se casado, não ama por favor, não ama por pena, não ama por ter que amar. Quem ama assim, não ama.

Aquele sentimento intenso ao conhecer alguém, as borboletas no estômago, a ansiedade… isto não é amor. Isto é paixão. E paixão dura, cientificamente, no máximo três anos (não acredita? veja).

Para mim, amor é quando você tem alguma atitude em prol de outro de forma genuína, livre de egoísmo e interesse. É quando você cede seu lugar no ônibus. É quando você ouve, de verdade, quem precisa desabafar. É quando você desvia de uma fila de formigas, quando dá passagem para alguém com pressa, quando você faz um programa que não gosta para alegrar outra pessoa.

O amor é leve, é simples. O amor é a intenção de fazer o bem, a pura e simples intenção.

Amar é coexistir.

“Um covarde é incapaz de demonstrar amor; isto é privilégio dos corajosos.” – Gandhi

Afinal, é melhor “ser você mesmo” em uma entrevista de emprego?

Artista: Toby Corbett

Artista: Toby Corbett

Todo mundo que já fez uma entrevista de emprego na vida já deve ter ouvido o recrutador dizer: “seja você mesmo“. Mas, afinal, até onde isso é verdade? Devemos ser nós mesmos, na busca por uma vaga no competitivo mercado?

Durante as entrevistas, há algumas respostas e posturas que são esperadas pelos entrevistadores. Não é tão difícil fingir ser aquilo que não é, criando um perfil adequado para a contratação. E então? Assunto encerrado?

Talvez seja realmente um grande clichê dizer para você ser você mesmo em uma entrevista de emprego, e um clichê, digamos, com uma dose de mentira. Como dito anteriormente, há certas atitudes e comportamentos que são esperados pelo recrutador e que, de fato, devem ser seguidas. Quando é feita uma pergunta do tipo: “Qual seu defeito?“, dificilmente alguém dirá que é ser super preguiçoso, não respeitar prazos, ter ataques de raiva (!!!)  – mas, por favor, não diga “perfeccionista”. Nem eu, que não trabalho na área de Recursos Humanos, aguento mais ouvir isso!

Porém, cuidado para não cruzar a linha tênue que separa este comportamento esperado de um comportamento totalmente manipulado e falso. Não falso apenas com o entrevistador, mas também – e, principalmente – consigo. É preciso pensar no que vem depois da entrevista e da contratação. Não é necessário quebrar tanto a cabeça para ver que, se você precisa fingir tanto ter um perfil que não tem, talvez não seja mesmo adequado para a vaga.

Enquanto você se esforça para ser alguém que não é durante uma entrevista, não percebe que tenta alcançar algo que, no fundo, você não quer. Não percebe que, talvez, de fato você não se encaixe na vaga e também não percebe que trabalhar em um lugar onde você se sinta um peixe fora d’água pode ser mais estressante do que procurar por um outro emprego.

Então, no final das contas, talvez seja melhor “ser você mesmo” em uma entrevista, porém, não pensando no recrutador; pensando, sim, em você mesmo. Quando você é quem você é, para você mesmo, sendo sincero com seus desejos e expectativas profissionais, a tendência a conseguir um emprego com o qual você realmente se identifique e, consequentemente, tenha maiores chances de se dar bem, são muito maiores. Não desperdice seu tempo e talento em algo que te levará para longe de onde você brilha de verdade.

“Ninguém que se entusiasme com seu trabalho tem alguma coisa a temer na vida.” – Samuel Goldwyn

Desacelere

Obra "A Persistência da Memória", de Salvador Dalí

Obra “A Persistência da Memória”, de Salvador Dalí

Todo dia esbarramos em pessoas correndo apressadamente atrás de algo, alguém, alguma coisa e, muitas vezes, essas pessoas somos nós mesmos. Mas qual é o motivo real de tanta correria?

Nós acordamos antes do que gostaríamos, e a partir daí, parece que estamos numa maratona: no trabalho, há pressa para entregar os relatórios, alcançar a meta; no restaurante, come-se correndo e mal se sente o gosto da comida; na rua, anda-se tão rápido que não se vê nem mesmo como aquela escultura ou aquele prédio são bonitos.

A pressão sobe, a qualidade de vida desce.

Quem é que nunca desejou um dia de 35 horas, para conseguir fazer – ou achar que conseguiria – tudo que se tem para fazer? E quem é que nunca carregou aquele peso imenso nos ombros, aquela responsabilidade de tirar o sono? Pois é, são os desprazeres da modernidade. É o custo de viver o hoje ontem, fazendo tudo correndo e não sentindo absolutamente nada.

Charles Chaplin nas engrenagens, em "Tempos Modernos"

Charles Chaplin nas engrenagens, em “Tempos Modernos”

Uma vez eu vi um médico dizendo que o sono perdido não se recupera nunca mais. Lembrando que passamos um terço de nossas vidas dormindo, o que podemos dizer dos outros dois terços perdidos? É engraçado como queremos mais tempo, mas aproveitamos tão mal o que já temos.

Vocês já repararam que quando alguém descobre ter uma doença grave, começa a viver melhor? Passa a aproveitar cada instante, buscar o que se quer e se ama de verdade, passa a dar mais valor. Mas ter uma segunda chance não é para todos, e quando menos se espera, perde-se um amigo, um parente, perde-se a si mesmo. E para isso, não é preciso morrer; pode-se estar vivo e não sentir, não querer, não ser. Portanto, desacelere – escolha qualidade à quantidade, o bem estar ao apenas estar. Escolha a vida ao tempo, e nunca o contrário, pois somente assim não se tornará um escravo dos ponteiros.

“O homem que tem coragem de desperdiçar uma hora do seu tempo não descobriu o valor da vida.” – Darwin

Você vive ou apenas existe?

Artista: Ludovic Laffineur

Artista: Ludovic Laffineur

Um amigo meu me disse: “Você poderia fazer um post sobre a frase: ‘Viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas apenas existe'”. Bom, aqui está o post, então! Você também pode sugerir temas entrando em contato conosco.

Oscar Wilde, indivíduo a quem foi atribuída tal frase, morreu em 1900. Se foi realmente ele quem disse a frase, uma pergunta passa pela minha cabeça: essa questão de viver versus existir não é um problema dos tempos modernos, ele vem de bem antes.  Será, então, que este dilema sempre perturbou o ser humano? Será que ele nunca soube viver de verdade?

Artista: Michał Giedrojć

Artista: Michał Giedrojć

Para cair no abismo do ‘apenas existir’, basta fazer algo que já soa como normal para grande parte de nós – basta entrar no piloto automático. Basta acordar, ir trabalhar, voltar do trabalho, dormir; basta esperar o fim de semana como se fosse a única salvação da sua lavoura; basta não agir ou reagir, apenas se deixar levar pela correnteza dos acontecimentos da vida.

E o que você tem feito para que isto não aconteça? Quais são seus objetivos de curto prazo? E de médio ou longo prazo? É fácil se perder em meio a necessidade de pagar contas e de se sustentar ou sustentar uma família, porém, é preciso estabelecer metas de crescimento pessoal. Evoluir é necessário.

Nós precisamos ser, hoje, melhores do que fomos ontem, e piores do que seremos amanhã. É preciso evoluir continuamente, é preciso desafiar a si mesmo e acreditar em uma vida completa, em uma vida repleta de realizações. É preciso acreditar que os votos que desejamos aos outros e que recebemos no ano novo e outras datas comemorativas sejam reais. É preciso abandonar frases como “no futuro será diferente” e “no momento não há nada a ser feito“.

A vida passa, e passa rápido. Não se esqueça que ao torcer para os dias passarem rápido, você acaba torcendo, inconscientemente, para que a sua vida corra. Como disse Niemeyer, “a vida é um sopro”. Não desperdice o que você não poderá recuperar.

“O homem comum não sabe o que fazer da vida e no entanto deseja outra que durará para sempre” – Anatole France

Não tenha medo de mudanças

Artista: Chico Sanchez

Artista: Chico Sanchez

Ao longo de nossas vidas, nós mudamos. Mudamos da escola para a faculdade, mudamos as companhias, mudamos de casa. Mudamos o cabelo, mudamos de cidade e mudamos, principalmente, as ideias. Hoje, como pessoa adulta que sou, definitivamente não tenho os mesmos pensamentos e objetivos que tinha há alguns anos.

Então, por que será que quando estamos infelizes diante de uma situação, ficamos tão inseguros e com medo de mudá-la? O que é essa corrente invisível que nos prende tão fortemente e não nos deixa seguir nosso caminho para a felicidade?

Artista: Chico Sanchez

Artista: Chico Sanchez

Robert Smith, vocalista do The Cure, disse em uma entrevista algo que se relaciona diretamente com essa história de mudança: “Eu sempre tive em mente que as pessoas devem poder mudar. Acho que seria um mundo intolerável se as pessoas não pudessem mudar. Você olharia no espelho e diria: ‘Oh, este sou eu para o resto da vida’ “.

A necessidade de pagar contas pode nos impedir de sair de um emprego que nos faz mal, assim como o comodismo nos impede de sair de um relacionamento não saudável ou o dinheiro investido em cursos e faculdades faz com que continuemos investindo em uma carreira que nada tem a ver com a nossa aptidão.

O recado de hoje não é para jogar tudo para o alto e agir irresponsavelmente como se não houvesse amanhã – o amanhã existe, e ele é duro. Mas duro também é continuar em uma situação ruim por inércia, afastando-se mais e mais do que realmente te faz feliz.

Uma maneira simples e prática de iniciar a mudança na sua vida é a seguinte:
1. Escreva de maneira objetiva o que você quer mudar na sua vida.
2. Veja como você fará essa mudança, de modo geral.
3. Fragmente em ações menores o item (2), ou seja, pequenas ações (quantas forem necessárias) que te levarão ao objetivo maior – a mudança.
4. Estipule prazos para que as ações do item (3) sejam concretizadas.
5. Atenção para não burlar as próprias regras. Seja fiel aos passos (1) a (4) , a você mesmo e ao que você deseja para seu futuro.

“Existe perigo na mudança arrojada, mas maior ainda é o perigo do conservadorismo cego.” – Henry George