Desacelere

Obra "A Persistência da Memória", de Salvador Dalí

Obra “A Persistência da Memória”, de Salvador Dalí

Todo dia esbarramos em pessoas correndo apressadamente atrás de algo, alguém, alguma coisa e, muitas vezes, essas pessoas somos nós mesmos. Mas qual é o motivo real de tanta correria?

Nós acordamos antes do que gostaríamos, e a partir daí, parece que estamos numa maratona: no trabalho, há pressa para entregar os relatórios, alcançar a meta; no restaurante, come-se correndo e mal se sente o gosto da comida; na rua, anda-se tão rápido que não se vê nem mesmo como aquela escultura ou aquele prédio são bonitos.

A pressão sobe, a qualidade de vida desce.

Quem é que nunca desejou um dia de 35 horas, para conseguir fazer – ou achar que conseguiria – tudo que se tem para fazer? E quem é que nunca carregou aquele peso imenso nos ombros, aquela responsabilidade de tirar o sono? Pois é, são os desprazeres da modernidade. É o custo de viver o hoje ontem, fazendo tudo correndo e não sentindo absolutamente nada.

Charles Chaplin nas engrenagens, em "Tempos Modernos"

Charles Chaplin nas engrenagens, em “Tempos Modernos”

Uma vez eu vi um médico dizendo que o sono perdido não se recupera nunca mais. Lembrando que passamos um terço de nossas vidas dormindo, o que podemos dizer dos outros dois terços perdidos? É engraçado como queremos mais tempo, mas aproveitamos tão mal o que já temos.

Vocês já repararam que quando alguém descobre ter uma doença grave, começa a viver melhor? Passa a aproveitar cada instante, buscar o que se quer e se ama de verdade, passa a dar mais valor. Mas ter uma segunda chance não é para todos, e quando menos se espera, perde-se um amigo, um parente, perde-se a si mesmo. E para isso, não é preciso morrer; pode-se estar vivo e não sentir, não querer, não ser. Portanto, desacelere – escolha qualidade à quantidade, o bem estar ao apenas estar. Escolha a vida ao tempo, e nunca o contrário, pois somente assim não se tornará um escravo dos ponteiros.

“O homem que tem coragem de desperdiçar uma hora do seu tempo não descobriu o valor da vida.” – Darwin

Anúncios

Não carregue o mundo nas suas costas

Artista: Michał Giedrojć

Artista: Michał Giedrojć

Você já teve a sensação de estar pesado, perdido, inoperante? Sensação de estar carregando mais peso do que pode levar? Deste peso todo, o que é apenas excesso de carga?

É como se justamente quando mais precisamos resolver tudo logo, tudo empaca. Nada parece funcionar e a preocupação só aumenta. Vamos ficando cada vez mais tensos, estressados e daí para frente é só uma bola de neve – os problemas e as cobranças aumentam, a saúde e o bem-estar diminuem.

Então, o que fazer quando percebemos que ultrapassamos o peso máximo que conseguimos carregar?

Quando isto acontece, é hora de parar. É preciso respirar fundo e fazer uso de um grande trunfo: estabelecer prioridades. Aceite que você não conseguirá fazer tudo de uma vez, e que se desesperar só te levará a começar várias atividades e não terminar nenhuma. Veja quais são realmente prioridades,  quais atividades são secundárias e quais estão apenas te ancorando, ou seja, são a carga extra que você está carregando.

E como saber discernir que está te ancorando? A melhor maneira é aceitar as palavras de Fernando Sabino: “o que não tem solução, solucionado está” – afinal, se você sabe como resolver o problema, basta classificar, então, sua prioridade. Se este mesmo problema não tem solução, ele não é um problema, portanto. É apenas um fato ocupando espaço na sua vida, e você precisa deixá-lo ir embora.

“Compreender é difícil. Depois que se compreende, agir é fácil.” – Sun Yat-Sen