Um soco no estômago

Porque, às vezes, tudo que precisamos é de um soco no estômago. Um soco direto, forte, que te faça desengasgar de tudo aquilo que não vai, não fica; tudo que não se resolve, que não anda, que não desenrosca.

Alexandra Moldovan

“You explode I implode” – Alexandra Moldovan

Um soco que te acorde e faça ir embora toda a indecisão, toda a dúvida, todo e qualquer talvez. Um soco que te faça ver que o seu sim para algo morno é o seu não para algo intenso e que as suas atitudes para se adequar a um mundo que não te pertence apenas te distanciam daquilo que você realmente é de onde de fato deveria estar.

Um soco no estômago para te mostrar que não é porque os dias passam que você vive, não é porque você sorri que você está feliz e que o fato de você não encarar essas situações não faz com que elas não existam.

Um soco tão forte que te chacoalhe ou te mate, mas que te tire dessa inércia que você, sem saber o porquê, chama se vida.

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Mudanças internas

​A gente só muda de verdade quando percebe que não há outra opção se não mudar.

Só muda quando o espaço fica pequeno, quando o assunto acaba, quando as luzes se apagam e você sabe que precisa ir embora.

Muda por uma imposição da vida, que chega e diz: “isto não faz mais parte de você e você não pertence mais a este lugar”.

Não muda por achar que deve mudar.
Não muda por ter a impressão de que deve mudar.
Não muda simplesmente por querer mudar.

A mudança é uma consequência, e não a causa; é o fim, e não o meio.

A mudança, portanto, não é uma escolha.

“Quando alguém encontra algo de que verdadeiramente necessita, não é o acaso que tal proporciona, mas a própria pessoa; seu próprio desejo e sua própria necessidade o conduzem a isso.” (Demian – Hermann Hesse)

E o amor verdadeiro mora…

…na coexistência.

Minha concepção do que é amor mudou muito ao longo de minha vida. Hoje, beirando trinta anos, tenho uma ideia muito mais serena acerca desse sentimento.

Lembrando que tudo aqui é apenas opinião, e minha opinião.

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Primeiro, o amor não é apenas romântico. Também não é apenas o familiar. Na verdade, o amor não consiste em quem você ama (pai, mãe, marido, esposa) ou na natureza do amor (familiar, amigável, amoroso, etc). Não consiste, também, no tempo de relacionamento, e menos ainda na obrigatoriedade de amar. Você não ama por ter uma vida junto, e não ama por obrigação social.

Não ama por ter se casado, não ama por favor, não ama por pena, não ama por ter que amar. Quem ama assim, não ama.

Aquele sentimento intenso ao conhecer alguém, as borboletas no estômago, a ansiedade… isto não é amor. Isto é paixão. E paixão dura, cientificamente, no máximo três anos (não acredita? veja).

Para mim, amor é quando você tem alguma atitude em prol de outro de forma genuína, livre de egoísmo e interesse. É quando você cede seu lugar no ônibus. É quando você ouve, de verdade, quem precisa desabafar. É quando você desvia de uma fila de formigas, quando dá passagem para alguém com pressa, quando você faz um programa que não gosta para alegrar outra pessoa.

O amor é leve, é simples. O amor é a intenção de fazer o bem, a pura e simples intenção.

Amar é coexistir.

“Um covarde é incapaz de demonstrar amor; isto é privilégio dos corajosos.” – Gandhi

Sobre os reais motivos

Em linhas – BEM – gerais, nossa vida nada mais é do que uma sucessão de tomadas de decisões que nos levam aos mais diferentes caminhos. Mas, na realidade, quais dessas decisões são tomadas pensando em nós mesmos? E quais são apenas uma consequência do medo da mudança, das opiniões alheias e do conservadorismo cego?

Sem título

Existe algo que nos impede de mudar mesmo quando a situação presente não é favorável. Uma corrente que nos segura, uma gaiola que nos prende, uma porta trancada que nos impede de escapar. E todas invisíveis. Nenhuma delas está lá.

Mesmo quando determinada situação já não nos faz mais bem, continuamos amarrados ao que costumava ser, ao que poderia ter sido, ao que era para ser. Não vemos que, na realidade, já não é mais, nunca será, e, certamente, nunca teria sido.

No íntimo, todos sabemos quais são os reais motivos que nos prendem a situações, pessoas e lugares, e nenhum deles está do lado de fora. Não existem culpados – apenas uma sucessão de fatos, de circunstâncias, de mudanças. De vida.

“Todo mundo age não apenas movido por compulsão externa, mas também por necessidade íntima”. – Einstein

Sobre os caminhos nunca escolhidos

Sempre pensei ser um tanto triste saber que existem milhares de músicas que eu poderia amar e que jamais conhecerei, assim como lugares que me tirariam o fôlego e que nunca sequer passarei perto, e pessoas que me fariam querer que o dia durasse mais e que talvez nunca cruzem meu caminho. Condenei a vida por isto e aceitei. Continuei no meu caminho.

Até que percebi que eu dizia isto enquanto estava exatamente no mesmo lugar há anos, com os mesmos hábitos, ideias e costumes, amando e odiando as mesmas coisas.

Cheguei à conclusão de que, embora grande, o mundo, para mim, parecia fatalmente pequeno. Mas pequena mesmo era a minha atitude perante a vida e menor ainda a minha percepção de que a errada era ela, e não eu.

“Se você pensa que aventura é perigosa, tente a rotina. É letal”

Entre o desgosto e o tédio

Schopenhauer tem uma frase que diz que “a vida oscila como um pêndulo, entre o desgosto e o tédio”.

Quantas são as coisas invisíveis a que nos apegamos para continuar vivendo?

A vida vista de perto me parece tão diferente de quando é vista de longe; as prioridades, importâncias e preocupações que andam ao nosso lado mostram-se tão efêmeras e supérfluas que chego a me assustar ao pensar que nada disso realmente importa. Penso que, talvez, nem de perto elas tenham realmente importância.

Ao mesmo tempo que a vida é tudo que temos, é também o nada. As relações de nossas vidas são o que nos prendem aqui, e não a vida por si só. Não se vive por viver, não se gera espontaneamente um desejo incontrolável de estar vivo.

E, entre o desgosto e o tédio, há também a frustração, e mais frustração, e mais frustração. De não estar onde se quer estar; de não saber onde se quer estar. De não saber, sequer, se existe este tal ponto a que devo chegar.

 

 

 

Talvez este não seja o melhor texto para voltar depois de meses sem publicar, mas talvez, neste momento, seja o mais real.

Vídeo do dia

O vídeo de  hoje é um discurso de Michael Prysner, um veterano da guerra do Iraque e ativista político.

Vale bastante a pena ver o discurso dele, que me lembra um trecho de uma música do Raul Seixas (Ouro de Tolo), que diz “(…) longe das cercas embandeiradas que separam quintais (…)”

“A história está repleta de imbecilidades dos reis e governantes: é uma classe de gente que até hoje não sabe o que deve fazer, merecendo compaixão.” – Emerson

Palavra da Semana: Atitude

A palavra dessa semana é:

ATITUDE

Que tal anotar tudo que você precisa fazer e realmente fazer? Parar de procrastinar, levantar da cadeira e resolver aqueles problemas que ficam martelando atrás de nossas orelhas?

E, mais do que isso: que tal listar os planos – aqueles grandes – que realmente te motivam e ir atrás deles? Nada mudará nesta vida se não formos atrás dos nossos objetivos e desejos. Mas não se esqueça: para conseguir o grande, é preciso começar pelos pequenos. Resolva os menores problemas diários e organize-se para atingir o que você busca para sua vida.

“O céu deixou de ser o limite.” – Richard Nixon

Resumo da Semana

Artista: Kelly Nicolaisen

Artista: Kelly Nicolaisen

Segue o resumo desta semana (tardou, mas não falhou!):

Ótima semana para todos!

Até onde você iria pelos seus ideais?

Existe uma característica muito admirada nas pessoas: o fato de algumas delas lutarem arduamente pelos seus ideais. E eu não digo ideal no sentido desses nossos pequenos objetivos diários, ou de ter apenas um plano um determinada época da vida, como o post de quarta-feira dizia. Refiro-me a essas pessoas dão a vida por aquilo que acreditam e largam tudo em prol de uma causa maior.

O monge Thich Quang Duc ficou conhecido quando, em 1963, protestou silenciosamente após sentar no chão, banhar-se com gasolina e atear fogo em si próprio. O protesto era contra a repressão do Budismo no Vietnã do Sul.
Artista: Thich Quang Duc

Thich Quang Duc

Uma das coisas mais incríveis é que ele não move um músculo sequer, não grita, não faz nada além de permanecer parado enquanto seu corpo é tomado pelas chamas. Abaixo, o vídeo:

Há um tempo, eu assisti o filme “Hotel Ruanda“, e gostei muito, muito mesmo. A sinopse inteira você pode ler clicando aqui, mas vou tentar resumi-la: Ruanda enfrentava um conflito político, e como não chegava ajuda de lugar nenhum, o gerente de um hotel correu riscos para abrigar muita gente, e salvou várias vidas.

Essa é uma história real, e o gerente do hotel, que se chama Paul Rusesabagina, ajudou muitas pessoas durante esse conflito, conhecido como Genocídio em Ruanda. Essa guerra, que aconteceu em 1994, envolveu etnias inimigas que lutavam pelo poder, e matou mais de meio milhão de pessoas. Além disso, foi um conflito especialmente cruel com as mulheres, uma vez que as sobreviventes foram violentadas, e as mais de 5 mil crianças nascidas em consequência desses abusos foram, em sua maioria, assassinadas.

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Paul Rusesabagina (esquerda) e Don Cheadle (direira), que o interpretou em “Hotel Ruanda”

Para quem quiser ver fotos do genocídio de Ruanda, clique aqui.

E não poderíamos nos esquecer do Protesto na Praça da Paz Celestial, mais conhecido como Massacre na Praça da Paz Celestial, quando um estudante se posicionou na frente de um tanque de guerra, parando não só este como todos os outros que vinham atrás. Vale a pena assistir o vídeo:

O ponto com essas pessoas é que não se trata de apenas de protestar ou de salvar algumas – ou muitas – vidas. Trata-se de ter um ideal e ser fiel a ele até onde for preciso, não apenas defendendo-o, mas também estando disposto a viver e morrer por ele.

“Moderação no temperamento é sempre uma qualidade, mas moderação em relação a princípios é sempre um defeito.” – Thomas Payne