Até onde você iria pelos seus ideais?

Existe uma característica muito admirada nas pessoas: o fato de algumas delas lutarem arduamente pelos seus ideais. E eu não digo ideal no sentido desses nossos pequenos objetivos diários, ou de ter apenas um plano um determinada época da vida, como o post de quarta-feira dizia. Refiro-me a essas pessoas dão a vida por aquilo que acreditam e largam tudo em prol de uma causa maior.

O monge Thich Quang Duc ficou conhecido quando, em 1963, protestou silenciosamente após sentar no chão, banhar-se com gasolina e atear fogo em si próprio. O protesto era contra a repressão do Budismo no Vietnã do Sul.
Artista: Thich Quang Duc

Thich Quang Duc

Uma das coisas mais incríveis é que ele não move um músculo sequer, não grita, não faz nada além de permanecer parado enquanto seu corpo é tomado pelas chamas. Abaixo, o vídeo:

Há um tempo, eu assisti o filme “Hotel Ruanda“, e gostei muito, muito mesmo. A sinopse inteira você pode ler clicando aqui, mas vou tentar resumi-la: Ruanda enfrentava um conflito político, e como não chegava ajuda de lugar nenhum, o gerente de um hotel correu riscos para abrigar muita gente, e salvou várias vidas.

Essa é uma história real, e o gerente do hotel, que se chama Paul Rusesabagina, ajudou muitas pessoas durante esse conflito, conhecido como Genocídio em Ruanda. Essa guerra, que aconteceu em 1994, envolveu etnias inimigas que lutavam pelo poder, e matou mais de meio milhão de pessoas. Além disso, foi um conflito especialmente cruel com as mulheres, uma vez que as sobreviventes foram violentadas, e as mais de 5 mil crianças nascidas em consequência desses abusos foram, em sua maioria, assassinadas.

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Paul Rusesabagina (esquerda) e Don Cheadle (direira), que o interpretou em “Hotel Ruanda”

Para quem quiser ver fotos do genocídio de Ruanda, clique aqui.

E não poderíamos nos esquecer do Protesto na Praça da Paz Celestial, mais conhecido como Massacre na Praça da Paz Celestial, quando um estudante se posicionou na frente de um tanque de guerra, parando não só este como todos os outros que vinham atrás. Vale a pena assistir o vídeo:

O ponto com essas pessoas é que não se trata de apenas de protestar ou de salvar algumas – ou muitas – vidas. Trata-se de ter um ideal e ser fiel a ele até onde for preciso, não apenas defendendo-o, mas também estando disposto a viver e morrer por ele.

“Moderação no temperamento é sempre uma qualidade, mas moderação em relação a princípios é sempre um defeito.” – Thomas Payne

O lado não brilhante dos diamantes

É comum vermos diamantes sendo exibidos em anéis,brincos, colares e joias em geral. Mas, você sabe de onde eles vem?

diamantes

E como toda história tem dois lados, com essa não poderia ser diferente. O que acontece é que às vezes um lado é tão tenebroso que preferimos ignorar e seguir a vida.

Vocês já devem saber que a fonte dos diamantes se localiza na África, principalmente em Serra Leoa. Só que a descoberta dessas minas em Serra Leoa mergulhou o país em uma grande guerra civil, com grupos de rebeldes lutando para ter controle das minas de diamantes. A isso, também deve-se somar a grande corrupção que toma conta do país, o tráfico de drogas, de armas, de munição.

Esses grupos rebeldes são conhecidos por serem extremamente violentos, e uma de suas terríveis marcas é a mutilação de civis. Eles perguntam às vítimas se preferem “manga curta” ou “manga longa”, sendo que o primeiro significa decepar ‘apenas’ as mãos, e o segundo, perder o braço inteiro.

Fonte

Fonte

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“Mas o que isso tem a ver com os diamantes?”, vocês devem estar perguntando.

Serra Leoa não possui motivos para estar em guerra civil, como muitos outros países da África, que possuem conflitos ideológicos ou grandes diferenças entre tribos. Mas como a disputa pelas minas de diamantes implica em uma disputa pelo poder, os rebeldes alegam que, com as mãos cortadas, o civil “não poderá mais participar da vida política do país, elegendo um governante”. O trecho entre aspas foi dito por um homem vítima de tal atrocidade, e pode ser conferido no documentário que eu falarei mais adiante.

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Infelizmente, a violência não para por aí. Os rebeldes também fecham família inteiras – pai, mãe, crianças – dentro das próprias casas e ateam fogo. Também  cortam as mãos de crianças, forçam abortos, entre outras coisas terríveis.

Tirem um tempo para assistirem o documentário “Diamantes de Sangue”, do History Channel. Nele, vocês verão testemunhos de pessoas que passaram por isso, que sofreram todo o tipo de violência física e psicológica. Vão ver as mulheres falando sem o menor brilho no olhar, os homens que viram suas famílias morrerem e nada puderam fazer. Segue abaixo:

Há algumas propagandas muito boas sobre essa questão dos diamantes de sangue. Aqui estão:

diamantes de sangue propaganda

Tradução: “Qual o preço pelos seus diamantes?”. E na linha de baixo, diz para dizer NÃO ao comércio de armas e matérias-primas com países que violam os direitos humanos.

diamantes de sangue propagand 2a

Tradução: “Para cada mão pedida em casamento, uma outra mão é decepada”. E embaixo está escrito que para assegurar que os trabalhares escravizados não roubarão, uma das mãos é cortada, e que a beleza não vale a morte.

 

Vendo essas imagens, não vejo muito significado na expressão “ser humano”; talvez já tenhamos deixado de ser “humano” há muito tempo, e o significado do “ser” se aproxima cada vez do apenas “ter”.

“A violência faz até justiça injustamente.” – Carlyle

Você acreditaria?

É difícil saber quando alguém fala a verdade, não é mesmo? Até mesmo porque palavras são apenas palavras, e podem ser mudadas a qualquer momento.

Este post é sobre um político não conseguiu convencer ninguém de algo que, caso fosse bem sucedido, mudaria o rumo da própria vida.

Budd Dwyer

Budd Dwyer

O nome da pessoa é Budd Dwyer. Ele foi um político americano que foi acusado, em 1986, de receber ilegalmente a quantia de 300 mil dólares. Pulando a parte que envolve política e nomes complicados, deram-lhe duas opções:

(I) Confessar publicamente, assumindo, portanto, a culpa, e pegar 5 anos de prisão; ou,
(II) Tentar a própria defesa, e, em caso de falha, pegar uma pena de 55 anos e ter que devolver os 300 mil dólares.

Como as expectativas não eram das melhores, Budd Dwyer tomou uma decisão bem drástica. Um dia antes de anunciarem sua sentença, e já esperando ser condenado, uma vez que  o juiz do caso era conhecido como ‘durão’, Budd Dwyer convocou uma entrevista coletiva.

Dizem que nesse dia estava nevando muito, e todos estavam em casa. A entrevista foi mais ou menos no horário do almoço, e todos assistiam, inclusive crianças.

Então, Budd fez um discurso e entregou três envelopes: um, para um político, outro, uma carta sobre ser doador de órgãos, e o último, uma carta para sua esposa. Então, pegou um último envelope, que continha uma arma. Pegou-a, mirou contra a própria cabeça e tirou sua vida em rede nacional, ao vivo.

O vídeo, para quem quiser conferir, está no link a seguir. Bom, se quiserem dar play, é pela própria conta e risco de vocês! Vejam AQUI (cenas fortes).

É difícil dizer algo, não? Será que se algum político brasileiro fosse acusado de corrupção e negasse, nós iríamos acreditar? O que vocês pensam sobre isso?

“A política não é uma ciência exata.” – Bismarck

Fé Cega

Vocês sabem quem foi Jim Jones? Ele foi o fundador e líder de uma seita/igreja que acabou com o suicídio/assassinato de mais de 900 pessoas em novembro de 1978.
Jim Jones

Jim Jones

Jim Jones coordenou esse suicídio em massa, conhecido como o Massacre de Jonestown (Jonestown fica na Guiana, nossa vizinha de cima). O suicídio carregava a promessa de uma vida melhor, em um lugar melhor, com pessoas melhores.

“Morram com alguma dignidade. Não morram em lágrimas e agonia. A morte é só mais uma passagem para outro plano.” – Jim Jones

Jim Jones nasceu nos Estados Unidos, e em 1959, criou a igreja chamada de “Templo dos Povos“. Ele queria acabar com a segregação racial em lugares públicos, e foi até bem sucedido nesse aspecto. Mais tarde, ele começou a incentivar a adoção de crianças de raças diferentes pelos integrantes do Templo dos Povos.
 
jim jones crianças

Até aqui, nada de mais. Mas em 1973, algumas pessoas saíram da Igreja e começaram as denúncias sobre a história de suicídio coletivo e até mesmo simulação para tal. De repente, tudo veio à tona: acusações de sequestro de filhos de pessoas que tinham abandonado a seita, separação a qualquer custo dos membros do Templo de suas famílias, torturas físicas e psicológicas, privação de sono, de alimentos, e muitas, muitas outras coisas.

O estopim para o suicídio coletivo foi quando o político norte-americano Leo Ryan foi até Jonestown para investigar rumores de abuso por Jim Jones. Super resumo: uma ex integrante da Igreja, alguns repórteres e o próprio Leo Ryan foram assassinados por quem fazia a segurança de Jim Jones.

Quando chegou essa notícia do assassinato, o suicídio coletivo, que já havia sido ensaiado algumas vezes, foi colocado em prática. As pessoas foram orientadas a primeiramente darem o veneno às crianças e depois tomarem. Jim Jones foi encontrado com um tiro na cabeça.

 
Imagens do suicídio em massa:
 
Corpses from the Jonestown Massacre of 1978

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O saldo daquela noite foi igual a 918 mortos, dentre eles, 270 crianças. E em poucos minutos, ocorria o maior suicídio em massa da história.
 

A pergunta que fica é: quão diferente Jim Jones é de muitos que vemos por aí, pedindo dinheiro em troca de perdão, aproveitando-se da ingenuidade das pessoas para construir o próprio patrimônio (oi Edir Macedo)?

 

“O fanatismo é mais perigoso que o ateísmo e mil vezes mais prejudicial, pois este não inspira paixões sanguinárias, enquanto que aquele pode levar à prática de crimes.” – Voltaire
Há vários documentários sobre o assunto no youtube. Clique aqui e escolha um. Vale a pena assistir!

Suicídio – Quando alguém escolhe ir embora

Pessoal, agora temos esta nova categoria no blog. Chama-se “Aprendendo sobre…” e será postada todos os sábados.

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A frase principal do site, que aparece logo abaixo do título (“Ninguém é sozinho neste mundo. Temos que coexistir e cuidar uns dos outros”), pertence ao geólogo Azusa Hayano. É a última frase que ele diz em um documentário sobre a floresta Aokigahara, no Japão, local frequentemente procurado por pessoas que pretendem tirar a própria vida.

Floresta Aokigahara

Floresta Aokigahara – Fonte

Para quem não sabe, a taxa de suicídio no Japão é a mais alta do mundo. Talvez pelo fato de eles serem muito rígidos em vários aspectos – inclusive e principalmente consigo mesmo -, ou quem sabe possa ter algo a ver com aquela história do suicídio honroso dos samurais (no qual eles enfiavam uma faca no estômago), mas o ponto é que lá morre muita gente em consequência disso.

A floresta que existe no Japão, chamada de Aokigahara, ou “Sea of Trees” (Mar de Árvores), fica na base do Monte Fuji. A vegetação é bem densa, e quase não entra luz solar. Esta floresta é o local onde acontecem muitos suicídios no Japão; as pessoas frequentemente vão pra lá e se enforcam. Imagens da floresta:

Aokigahara_Forest 2

Corpo já em decomposição

Restos de alguém que acampou na floresta (não sabemos o destino desta pessoa)

Restos de alguém que acampou na floresta (não sabemos que destino teve esta pessoa) – Fonte

Muitas dessas pessoas, antes de se suicidarem, passam dias acampadas na floresta. Ficam colocando os pensamentos em ordem para, finalmente, tomarem a decisão final (de cometer ou não o suicídio).

Uma curiosidade é que, em lugares com alto índice de suicídios, como esta floresta no Japão e a própria Golden Gate, nos EUA, há vários avisos pedindo para os suicidas repensarem, voltarem atrás. Aliás, uma das pessoas que saltarem da Golden Gate foi Roy Raymond, o criador da marca Victoria’s Secret, em 1993.

golden gate warningTradução: Terapia de crise/ Existe esperança/ Faça a ligação/ As consequências de pular dessa ponte são trágicas e fatais.

Aokigahara-forest- warningTradução:  A sua vida é um presente valioso de seus pais/ Por favor, pense em seus pais, irmãos e filhos/ Não guarde isto com você, converse sobre seus problemas/ E então está escrito para contatar a Associação de Prevenção ao Suicídio.

Essa questão toda de suicídio é muito complicada. Não acho que seja culpa da pessoa, ou que quem faça isso seja egoísta, que não pensa em família e todas essas outras besteiras que algumas pessoas insistem em dizer. Acredito que quem chega ao ponto de cometer suicídio só quer pôr um fim e acabar logo com tudo.

Mas, como nenhum homem é uma ilha, a gente não morre sozinho. Ninguém vai embora sem deixar marcas. Marcas estas que não, não vão embora, e que serão lembradas todo aniversário que passar em branco, todo natal que não terá mais toda família reunida, toda vez que passar aquele filme que a pessoa gostava, que tocar aquela música, que tiver aquele prato.

Floresta Aokigahara

Floresta Aokigahara – Fonte

Aqui no Brasil, morre uma pessoa por hora em consequência do suicídio. Existe uma organização sem fins lucrativos chamada CVV – Centro de Valorização da Vida que atua para a prevenção de suicídios. Quem trabalha lá é voluntário, a pessoa recebe um treinamento sobre como agir, o que falar, etc, e ficam à disposição de quem quer falar.

O atendimento é feito pessoalmente (em postos espalhados pelo Brasil), por telefone, por e-mail ou por chat, e eles funcionam 24h por dia. Aliás, aqui no Brasil, o serviço que a CVV presta é reconhecido como utilidade pública, pelo Ministério da Saúde!

Tem uma propaganda deles que fala justamente sobre essa questão de não morrer sozinho. É bem curtinha, vale muito a pena assistir:

O documentário que eu falei sobre o Japão, está logo a seguir. Está legendado em inglês, mas se você tem uma pequena base, dá pra entender.

Lá pelo 1 minuto e 50 segundos aparece um carro abandonado antes da entrada da floresta, provavelmente de alguém que foi até lá tirar a própria vida.

Floresta Aokigahara, aos pés do Monte Fuji

Floresta Aokigahara, aos pés do Monte Fuji

Todo mundo já se sentiu sozinho. O problema é que nós estamos tão preocupados com a nossa própria solidão que esquecemos justamente que o mundo é repleto de outros solitários. Todos estão dispostos a receber atenção, um abraço amigo, respeito, mas ninguém está disposto a estender a mão. E nessa história de nos trancarmos em um quarto esperando que alguém abra a porta e nos libere de nós mesmos, o mundo segue repleto de pessoas que, assim como nós, também se fecham, também choram, também pedem silenciosamente por ajuda.

No mundo todo, são mais de 10 milhões de tentativas de suicídios por ano, sendo que mais de um milhão dessas pessoas são ‘bem sucedidas’. Hoje, o suicídio ocupa o décimo lugar nas causas de morte no mundo. E assim o mundo segue, com muitos quartos e portas fechadas, com as pessoas superestimando a própria solidão enquanto subestimam a alheia. Porque afinal de contas, o nosso fardo é sempre mais pesado para carregar, não é mesmo?

Para concluir o post, a frase completa do Azusa Hayano, o geólogo do documentário do Japão:

“Você pensa que morre sozinho, mas isso não é verdade.
Ninguém é sozinho neste mundo. Nós temos que
coexistir e cuidar um dos outros” – Azusa Hayano