Coragem, de Coração

Recentemente descobri a etimologia da palavra “coragem”. “Coragem” vem de “cor”, que vem de “cordis” (latim), que significa coração. “Coragem” vem de “coração”.

Mas não apenas isso: coragem não vem apenas de coração, mas também do coração.

Coragem vem do coração.

A coragem não é racionalizada, por mais que seja racional; não é planejada, por mais que seja o que deva ser feito.

A coragem é o impulso, é o pulo, é a força; a coragem é o fim de um caminho e início de outro, é a mudança.

A coragem é não é a cabeça. Não é o cérebro. Não é o que nos faz olhar para os dois lados da rua antes de atravessar, embora a coragem não nos faça atravessar às cegas.

A coragem não é o pensar, mas sim o saber. É o saber o que deve ser feito. É o saber.

A coragem é a voz constante e ininterrupta. Tampamos os ouvidos, mas lá está ela. Inabalável. Inatingível. Incansável.

Coragem vem do coração. Ponto. Mas, citando Freud em “Civilization and its discontents” (“O mal estar na civilização”), “(…) mas as coisas provavelmente não são tão simples assim, devido às discrepâncias entre nossos pensamentos e nossas ações, e à variedade de nossos desejos“.

Coragem vem do coração. Sabemos disso. Mas, insistentemente e na esperança de sempre sermos racionais, optamos por associar a coragem ao racionalizar, à cabeça.

Assim, permanecemos sendo enganados por nós mesmos. Permanecemos nas sombras. Na caixa.

Mas a voz permanece lá dentro, inabalável, inatingível, incansável.

anne-emond

Ilustração da maravilhosa Anne Emond

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