Ímãs

O quadrado, o bloco, o cimento. A rigidez, a linearidade, o lado de dentro da calçada. A obviedade, as cores primárias, o humor plástico, a estabilidade. O concordar, o saber, o mar calmo. A corda, o esperado, a quietude. A morte.

Tudo que quebra e não entorta, tudo que não queima. Todo e em todo dia a dia, tudo que é morno e tudo que se mistura. Tudo que é igual.

Tudo que não é e todas as coisas que nunca serão.

Todo o controle, toda clareza e toda segurança. Toda maturidade.

Tudo que é lindo e linear. Tudo que não me pertence.

eu

*

“Eu, como filho dos donos da casa, pertencia, de imediato, ao mundo luminoso e reto; mas para onde quer que dirigisse a vista ou apurasse os ouvidos, ia dar sempre com o outro mundo e, portanto, nele também vivia, embora quase sempre me parecesse isso estranho e inquietante e acabasse por infundir-me pânico, turbando-me a consciência. Chegou a haver temporadas inteiras em que eu preferia viver naquele mundo proibido, e o retorno à claridade, ainda que necessário e conveniente, chegava a ser para mim quase que um retorno a algo menos belo, mais vazio e aborrecido.

Herman Hesse – Demian

*Alguém sabe a fonte desta imagem maravilhosa?
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