Estranhezas

Às vezes estranho lugares, pessoas, músicas. Não me sinto em casa ainda que esteja, não sinto o acolhimento de amigos ainda que entre eles permaneça e não consigo relaxar ouvindo as melodias que sempre me agradaram.

Estranho os ruídos, as cores, as conversas.

Porém, vez ou outra, encontro-me estranhando a quem não deveria me causar estranhamento. Encontro-me fora de onde não posso fugir. Encontro-me distante de onde nunca deveria ter saído de perto.

Vejo-me longe de mim mesma, distante de quem eu sou. Mas quem sou eu, afinal? Sou a pessoa que ficou para trás ou a pessoa que se afastou?

E, se me afasto de mim, de quem me aproximo? Mas, sendo eu mesma a pessoa a se afastar, permaneço ainda comigo? Comigo, e longe de mim?

“Bem, veja um animal qualquer, um gato, um cachorro, um pássaro ou um desses belos animais maiores do zoológico, um puma ou uma girafa (…) Não procuram impressionar-nos nem representar para nós. Nada de teatro. São como são (…) Em geral, os animais são tristes (…) e quando um homem está triste (…) porque vê, por uma hora, como é tudo, como é a vida, e está triste de verdade, sempre se parece um pouco com os animais. Então se mostra não apenas triste, mas também mais justo e mais belo que de hábito”

O Lobo da Estepe, Hermann Hesse

Charlotte White

Grand Teton, Charlotte White

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